sábado, 2 de maio de 2009
Fidel
Confúcio: “Eu amo a liberdade, por isso deixo livre as pessoas que amo”. Seria como dizer eu amo feijoada por isso como pouco para deixar mais para as outras pessoas. Mais um pensamento altruísta. No atual estágio da humanidade somos levados a abrir mão do que realmente queremos pois fica feio ser individualista. Nunca consegui desvincular amor de posse, assim como sempre soube que o ciúmes é um dispositvo da incerteza mais que da insegurança.
As pessoas têm medo da palavra posse, parece um sentimento proibido, vil, maléfico. Mas no caso dos amores, adoro posse, do coração, da atenção, do carinho, da exclusividade do pensamento erótico, o desejo único por aquela pessoa. Mas posse neste caso tem que ter troco: Fidelidade.
Na teoria do tradicional casamento que prevaleceu até meados do final do século passado, a coisa, do ponto de vista machista funciona assim: O marido se encheu da mulher e vai inventar vários subterfúgios para ficar o mais tempo possível longe de casa. Qualquer oportunidade é oportunidade: O futebol de quinta feira, a pescaria, reunião de uma câmara de comércio, a Loja, a convenção da empresa, o estádio de domingo. O homem se acostumou em comparecer na alcova com a esposa algumas vezes por mês e do resto, agita por ai.
Com o alto índice de separações, a facilidade e a aceitação da sociedade que vê este fenômeno crescer a cada dia, os homens que na maioria não conseguem ficar sozinhos, tentam rapidamente encontrar outra pessoa, se apaixonam, fazem um filho, casam de novo e o ciclo vai continuar, daqui 4 ou 5 anos volta tudo ao normal. Os que insistem em “viver a vida” é porque não sabem lidar com o troco da posse, a fidelidade.
Me considero diferente disso tudo, primeiro porque nunca gostei da companhia de muitos homens, não gosto de pescaria e odeio o futebol de quadra. Não teria como disfarçar, minha mulher não engoliria isso. Me resta o melhor da vida, penso eu, a companhia da mulher amada.
Aprendi que o amor, misto de paixão e desejo pode demorar para aparecer, mas quando chega devemos cuidar e não se esquecer do troco. A fidelidade, espírito, cérebro e coração.
*Para Gina.
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